Dizer que um jogo pode ser diferente e ser o que é é o mesmo que dizer que as práticas/regras de um jogo podem ser diferentes e serem o que são.
Essa regra (jogo, prática…) é elementar, é uma composta em duas ou são duas simples? Ou serão mil?
ontologia, micropolítica, singularidade, jogos e pós-colonialismo
Dizer que um jogo pode ser diferente e ser o que é é o mesmo que dizer que as práticas/regras de um jogo podem ser diferentes e serem o que são.
Essa regra (jogo, prática…) é elementar, é uma composta em duas ou são duas simples? Ou serão mil?
Na declaração “um jogo pode ser diferente de si mesmo”, a palavra “diferente” é ambígua com relação a seguinte diferença: existe um sentido em que um jogo torna-se diferente de si mesmo e existe um sentido em que um jogo é diferente de si mesmo.
Essa diferença é importante, mas perigosa. Como ela operaria?
Existem inúmeras formas de enunciar o ponto. Por exemplo, quatro versões possíveis: uma epistemológica, uma ontológica, uma política e uma modal, respectivamente.
O ponto interessante que gostaria de fixar é que um jogo não somente pode ser apresentado de formas diferentes, mas que apresentar um jogo é sempre deslocá-lo, recortá-lo, descrevê-lo de uma forma necessariamente diferente do que ele é.
Dizer que existem diferentes recortes descritivos possíveis para um jogo é dizer duas coisas: que existem diferentes jogos (recortes) que poderíamos chamar de um só; que um mesmo jogo pode ser apresentado de diferentes maneiras sem deixar de ser o que é.
Dizer que um jogo é é o mesmo que dizer que existe um recorte descritivo possível tal que um jogo seja assim.
Não há (recorte descritivo de) um jogo cuja explicação não seja já um novo recorte de si mesmo, pois descrever é sempre recortar e recortar também é um jogo.
Dizer que nenhum exercício de jogo pode ser estritamente auto-performativo é o mesmo que dizer que não existe um recorte descritivo de um jogo cujo exercício produza, sozinho, a própria normatividade.
Dizer que um jogo é assim é o mesmo que dizer que existe um recorte descritivo possível das práticas tal que um jogo seja assim.
O exercício de um jogo é estritamente auto-performativo somente na medida em que suas regras são autônomas, o que não pode ser o caso.